Citação

A novela Controlar e Inspeção Veicular em SP

O caso Controlar ou como age a mídia e o capital financeiro em São Paulo
A campanha é bonita. Bem feita e, provavelmente cara. Jovens brancas, bem criadas, abordam motoristas nos principais cruzamentos da cidade com um balão vermelho. É isso que sai do escapamento do seu carro em apenas 3 segundos, dizem elas. A ação viral ganhou a mídia. No último sábado o Jornal Hoje deu destaque à matéria e trouxe um dado “alarmante”: a poluição atmosférica mata mais que acidentes de trânsito em São Paulo.
Os dados são de um obscuro Instituto de Saúde e Sustentabilidade e foram apresentados oficialmente em setembro de 2013, mas o JH só se interessou pelos dados agora, em janeiro. Aparentemente, os balões foram responsáveis por “conscientizar” a pauta do jornal sobre os riscos de uma cidade poluída.
Mas quem acredita nessa história? Por que um estudo de setembro só virou matéria quatro meses depois? E a campanha, custou quanto pra ser feita? Quem a está pagando?

Inspeção veicular
No último dia 22, o juiz da 11ª vara da Fazenda Pública de São Paulo barrou um pedido da Controlar para que a empresa continuasse fazendo a inspeção veicular na capital paulista. A empresa discute na Justiça o prazo do contrato da licitação.
Para a Controlar, o documento seria válido até 2018. A Prefeitura de São Paulo considera que o prazo já expirou. A discussão está relacionada ao início das atividades, em 2008, 13 anos após a licitação, ocorrida em 1995.
A briga jurídica foi motivada pela mudança de modelo de inspeção, mas também pelas denúncias de corrupção que envolvia a Controlar e a administração Kassab. A prefeitura decidiu partir para um novo esquema de inspeção, menos oneroso ao motorista. A partir daí, as ações se multiplicaram e chegou a ser questionada como inconstitucional pela Procuradoria Geral do Estado.
Além da justiça, o imbróglio se estendeu à mídia.
Ao invés de informar sobre os negócios escusos da Controlar, os grandes jornais e a Rede Globo, passaram a questionar o novo modelo de inspeções do ponto de vista ambiental.

Instituto Saúde e Sustentabilidade
Junto com a pesquisa alarmante do Instituto de Saúde e Sustentabilidade, foi promovido um seminário que contou com o vereador Gilberto Nalini, do PV e crítico feroz da administração Haddad. O vereador falou com destaque, logo após a apresentação da diretora executiva do instituto, Evangelina Vormittag.
“Morrem quatro mil pessoas por ano na cidade com problemas respiratórios e cardíacos em razão da poluição. A inspeção veicular deve ser aperfeiçoada, não flexibilizada”, defendeu o vereador na ocasião. “A questão é de saúde pública, não de política e, muito menos, econômica”, completa.

Ação judicial
Curiosamente, o principal argumento usado pela Controlar ao pedir a continuidade da inspeção veicular foi a pesquisa do Instituto Saúde e Sustentabilidade. À imprensa, a Controlar afirmou que a pesquisa era da USP, mas, na verdade, Vormittag utilizou pesquisadores da USP para o levantamento, segundo afirma a página do instituto na internet.
Além de Natalini, estavam presentes David Uip, secretário de Saúde de São Paulo e Bruno Covas, secretário do meio ambiente.

Apenas indícios
Então, se há uma pesquisa da USP, há mortes relacionadas com a poluição, afinal, por qual motivo a Justiça barrou a Controlar? E os balões, o verde?
Como notou o juiz da 11ª Vara da Fazenda Pública, há apenas indícios que apontem para mortes causadas por poluição. Especialmente no número levantado na pesquisa. Nas estatísticas de morbidade, a poluição não aparece como causa. Em teoria, ela causaria complicações que levariam ao óbito. Muito distante de afirmar que mata mais que acidente de carro em São Paulo.
O próprio experimento com balões é uma fraude.
No balão, além de gás carbônico, enxofre, chumbo e material particulado (o vilão, segundo Vormittag) há água, oxigênio, nitrogênio. Nem tudo que sai de um escapamento é puro lixo. Além disso, os carros com até 3 anos são, na maioria, flex. O álcool usado na maioria deles polui menos, pq a quebra de moléculas e a queima é mais eficiente que o diesel – esse sim, o grande vilão das metrópoles.
Além disso, os balões, especialmente da cor vermelha, são fabricados com hidrocarbonetos e seu descarte no meio ambiente pode ser mais perigoso que um escapamento a todo vapor.

Por que janeiro?
Somente uma decisão judicial daria continuidade à inspeção veicular feita pela Controlar, nos moldes adotados pela administração Kassab. Seguindo os ritos normais, o contrato com a Controlar acaba em 31 de janeiro deste ano. Mas, na justiça, a Controlar tem perdido sem se conformar. Por isso a urgência de uma ação de marketing viral.

Adiantou?
Balões, gente bonita, vídeo bem feito, infográficos e matérias nos principais jornais. Nada disso adiantou. A Controlar foi barrada pela justiça e a campanha da agência Tudo (que jura, foi institucional, com recursos próprios) não rendeu nada nas redes sociais. As matérias que saíram na Exame e no Estadão, por exemplo, tiveram cerca de 20 Rts, todos neutros, e a tag ‪#‎3segundos‬, bolada para ser um “alerta” ao motoristas, ficou longe de emplacar.
Ainda assim restam dúvidas: quem bancou a campanha? Por que a Globo embarcou numa bobagem? A USP ou sua estrutura foram usadas para interesses particulares? O programa Vai de Bike, do Itaú, e a ong Catraca Livre, do jornalista Gilberto Dimenstein, da Folha, tem qual participação nessa mega operação?”

Fonte: Página Dois (Acessado em 04/08/2014)

 …
Acho que qualquer um que seja um mínimo mais esclarecido, insinuaria que o lance da Controlar é menos efetivo do que “tampar o sol com uma peneira”. Mesmo que a pesquisa do obscuro instituto, o programa Catraca Livre e o programa de incentivo do uso das bikes em SP feito pelo Itaú seja comprado ou manipulado por alguma instância maléfica, não vou parar de ter crises infernais da minha bronquite/asma no próximo inverno. O estrago já foi feito quando em algum passado plano diretor do município foi dada a prioridade ao transporte individual via automóveis, ante de investir num plano a longa data com transporte em massa e até mesmo numa malha de ciclovias usável pelo paulistano.

Em ano de eleições, tudo vira conspiração (para ambos os lados já conhecidos). Precisamos deixar de lado o debate inflamado e apaixonado pra definir qual qual caminho seguiremos nos próximos anos. O debate não deveria só acontecer nos anos pares de pleitos, mas todos os dias que encontramos algo que não está (em cada concepção pessoal) certo. Se ficarmos nos agredindo entre o insuportável, antiquado e secular debate de que “Fascistas/PSDB & cia vs. Comunistas/PT & cia” vão destruir o universo, a familia tradicional, o direito de liberdade, os gays, lésbicas e negros – que aliás, parece uma briguinha de adolescente de quem tem o maior “documento” ganha)… Bom, ao invés de política, vou começar a discutir com a minha noiva em qual país deveremos morar na próxima década.

 

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