Eleições 2014: O (bizarro) primeiro contato

Como uma Globo instável, uma neblina mortalmente polêmica e uma entrevista que virou debate mudaram completamente o cenário do pleito de 2014 (em menos de 10 dias)

Sempre que uma roda de amigos se reúne para discutir política (seja em âmbito municipal, estadual, federal, ou qualquer um que aparecer), o infeliz e errôneo comentário aparece:

*coloque o partido oposto aqui* comprou a Globo, já viu a entrevista do *coloque o candidato do partido oposto aqui* que os caras pegaram leve?

Não, eu não errei minha comparação. Esse discurso é rotineiramente adotado nos blogs e portais ou pouquinho mais extremos da direita e da esquerda e poderia ser interpretado numa pseudo-equação matemática pra representar o fla-flu político que vivemos. Confesso ter caído na lorota que alguns blogs como os da Revista Fórum ou Pragmatismo Político que a entrevista do Aécio Neves tinha sido um fiasco, ou que o mineiro foi enfrentar o dragão global de peito aberto sem preparo algum. Bom, eu não havia assistido a entrevista do por motivos técnicos relacionados a minha internet podre ruim da NET (história pra outro post), e cometi o grave erro de adotar um discurso herdado da mídia pró-situação – nada coeso. Por isso, após a bizarra-violenta entrevista da Dilma, resolvi assistir a todas as entrevistas concedidas pelos favoritíssimos ao trono de ouro do planalto.

1. Aécio Neves: Afinal, ele foi bem preparado pro Projac ou realmente desapontou seus fãs?

Um pouco dos dois. E aí que começa a putaria bagunça da Globo ao elaborar as perguntas dessa série de entrevistas. No geral, foi uma rodada de perguntas moderada sem grandes polêmicas – apenas alfinetando nas falhas da proposta de plano de governo federal tucana. Mesmo sendo um ponto crítico do governo atual, acho que gastar a maioria do tempo da entrevista pra arrancar ideias sobre a Economia não seja o ideal – o Brasil é maior do que isso. Principalmente se depois dos 70% da entrevista voltada pra essa pasta, você pegar 25% e dar atenção para o caso do aeródromo de Cláudio-MG (não sabe? pesquisa, preguiçoso!). Foi uma entrevista mal explorada, porém moderada com poucas alfinetadas “ao gosto das invejosas”.

Já o ex-senador não conseguiu enfrentar o boss-fight como ele (e sua coordenação de campanha) estavam esperando. Foi bastante evasivo nas já escassas perguntas sobre seus planos diabólicos suas propostas, com aquele velho papinho político de “Maluf que fez” sobre suas realizações enquanto chefe do Executivo. Mesmo sendo de virtudes contrárias as minhas, eu esperava um Aécio mais calejado pra esse tipo de evento. Houve uma constante pregação de que a situação está jogando o Brasil no lixo, e uma crise é iminente (escutamos isso faz algum tempo, era inclusive pro Lula dar o Golpe Comunista no final de 2006 e 2010, respectivamente).

Conclusão Precipitada: Um plano de governo com prioridades (esperadas) alinhadas da Direita, com uma pitada de apelo nas massas carentes, e medidas milagrosas baseadas em “pó de pripipim gente! Vejam minha magia criar hospitais e escolas padrão fifa em 4 anos agradando cada um dos brasileiros e brasileiras neste vasto Brasilzão” – esperado de alguém que insiste numa política mais velha que o Império Romano.

Link para assistir a entrevista e gerar page-views de bandeja pra Globo: glo.bo/1q5Vdae

2. Eduardo Campos Marina Silva: o caminho de terra e barro do meio, numa bifurcação que os dois caminhos podem levar ao nada (ou não)

Está cansado dos petralhas em Brasília, mas também não aguenta mais aquele picolé de chuchú no Morumbi? Talvez Eduardo Campos NÃO seja fosse uma boa solução para os extremistas de plantão. De novo, a Globo prepara perguntas caça-niquel/geradoras de audiência com alfinetadas banhadas em polêmica. O voz-aveludada global começou perguntando sobre supostas incoerências das suas principais plataformas de governo, onde 2 delas seriam contraditórias (ou pelo menos impossíveis de coexistir). Senti um mix de Aécio Neves e Lula-Dilma com um leve fundo de medidas com apelo popular forte (como o passe livre para estudantes da rede pública).

Só não sabia que a árvore genealógica de Campos era todinha baseada em política. Eu tinha conhecimento que Campos era neto de um figurão político de Pernambuco, mas achei peculiar sua mãe e dois primos terem posições políticas digamos… Nobres. Ele deu uma patinada feia pra contornar a pauta, e no fim levou um pequeno tombo –  indiretamente concordando que se os mecanismos legislativos permitem, parentes poderiam ser apoiados pessoalmente por ele para cargos públicos. Ou pelo menos foi isso que o JN fez se entender com as perguntas realizadas. Diria que é necessário mais embasamento sobre o assunto pra defender ou crucificar o finado Campos. Assim como o Aécio, Eduardo Campos também pregou o sentimento de fracasso generalizado e a entrega de um país pior do que foi recebido em 2002 (claro, claro… Sabemos bem que 2014 é um ano muito mais feio e medonho do que 2001, né?)

Como a Marina assumiu prematuramente a campanha, e não houve tempo pra que se apresentasse ou que fossem expostas as suas ideias (melhor: o PSB meio que forçou a barra pra que ela não mudasse o discurso do Campos), não há muito o que dizer além de…O Aécio pode perder todas as suas poucas esperanças de um segundo turno com a Dilma – Marina supera fácil por causa do apelo de 2010 somado com o falecimento do Campos no meio da corrida eleitoral (fator perigoso, aliás), Além da certeza que agora rola um Segundo Turno pra cadeira do planalto.

Conclusão Precipitada: Vontade de fazer política de um jeito diferente, muitas ideias boas no papel… mas aquela falta de credo por causa de aliados políticos e seus interesses sempre assombra. Porque arriscar criar um novo monstrinho em Brasília se podemos adestrar o atual?

Link para assistir a entrevista e gerar page-views de bandeja pra Globo: glo.bo/1AcoLtO

dilma-aecio-campos

Trio parada dura… Não, pera

 

3. Dilma Rousseff: Falta carisma, traquejo político…

Se você traçou algum padrão ou paradigma de entrevistas para essa série proporcionada pelo Jornal Nacional… Jogue tudo no lixo, a visita de William Bonner ao Palácio do Planalto para entrevistar a Presidenta (ou Presidente, dependendo da sua chatisse), só não virou luta livre porque… Eu não sei, daria uma boa briga em horário nobre. A entrevista resumiu-se em: “o maior escândalo de corrupção do país” – segundo a oposição que detem o título de que mais roubou – e seu julgamento, governo Lula-Dilma são um nascedouro de corrupção corrupta (a redundância era necessária para representar a ênfase que foi dada pelos entrevistadores), problemas na Saúde e (de novo) Economia.

Apesar da já conhecida ausência de traquejo político por Dilma, não achei que seu desempenho tenha sido prejudicado por essa característica (subtraído, talvez). Mesmo sem o carisma, a chefe linha-dura do Planalto (é sério, assessores e ministros acham isso, não foi zoeira proposital) foi bem direta em suas respostas e não fez um discurso evasivo (esperado e observado nos outros favoritíssimos). Muito pelo contrário, as respostas de Dilma foram diretas e continham propriedade de dados, números e resultados. Mesmo na pergunta mais polêmica da entrevista – que tratava sobre a idoneidade dos membros de sua equipe – sua resposta foi apontar medidas que foram implantadas no governo dela e no anterior de Lula.

No constante e insistente assunto sobre a pasta de Economia, apesar da chata e até desrespeitosa insistência de Bonner, Dilma foi irredutível a falar sobre sua visão e seus indicadores. E suas afirmações não foram precipitadas, já faz algum tempo que acompanho o comportamento no setor de economia nas mídias e é possível enxergar claramente uma polarização dos empresários, exatamente como ela vem expondo que existe um mal humor e pessimismo econômico.

Se no lado do entrevistado eu vi um bom desempenho, no lado do entrevistador… É fato que cada pessoa possui suas virtudes e ideais que foram formados ao longo de suas vidas. Mas expô-lo como Bonner o fez na entrevista foi a coisa mais galhofa que eu jamais tinha visto. Talvez se Jair Bolsonaro tivesse entrevistado Dilma, mais cordialidade entre os dois haveria, de fato. Ou uma conversa de bar entre dois amigos com opiniões distintas seria mais civilizada e cordial do que foi a tentativa de encurralar Dilma com as perguntas elaboradas… O ponto é que o Bonner perdeu a linha da maneira mais imprevisível, e isso só ajudou a mostrar como as coisas são distorcidas a respeito do governo federal nos meios de comunicação.

Conclusão Precipitada: Mesmo com o traquejo ausente, a Dilma se saiu muito bem na entrevista e contrariando alguns nomes da esquerda, arrisco dizer que não foi um zero-a-zero, mas uma vitória onde a favoritíssima saiu mais fortalecida do que antes. Já o William Bonner, provou ser um belo de um pavio curto ¬¬”

Link para assistir a entrevista e gerar page-views de bandeja pra Globo: glo.bo/1n3PLDU

4. Candidatos Nanicos: o mundo não é feito de arco-íris

É sério. Comunismo por capitalismo é trocar 6 por meia-dúzia, o aero-trem não faz café nem lava a roupa, e saude+educação não se resolve da noite pro dia.

Conclusão

O páreo é duro (Aécio é café-com-leite, pegou a piada? HÁH!) mas no parcial ainda acredito mais na Dilma Rousseff do que na Marina Silva. MAAAAAAAAAAAS, sei lá né? Dia 7 de Outubro ainda está bem distante, os candidatos tem muito tempo pra mostrar melhor todas as suas idéias…

Obs.: Xiitas de Direita e Esquerda, vocês não são bem vindos. Favor não insistir, obrigado ;D

 

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